Escolas cervejeiras

Cervejas

Hoje, quando se pretende estudar sobre cervejas, logo se pensa em partir para conhecer os estilos. Porém, antes disso, é importante que se conheçam as escolas cervejeiras, pois isso cria um conhecimento mais sólido no tema.

Mais uma vez temos que recorrer à história para justificar a presença ou o estabelecimento de marcos importantes nos estudos cervejeiros. Apesar dos registros arqueológicos indicarem o surgimento da cerveja na região do oriente médio (antiga Mesopotâmia) e do norte da África (Egito), a tradição de fabricar cerveja se consolidou fortemente na Europa, entre as idades média e moderna.

No mundo cervejeiro podemos considerar a existência de quatro grandes escolas influentes, as quais se estabeleceram por terem características únicas que as identificam e as diferenciam. As três escolas mais antigas são europeias – Alemã, Franco-Belga e Britânica –, e se consolidaram graças à abundância de grãos e ao culto à bebida. Dentre as mais reconhecidas, a mais nova é a norte-americana, que tornou-se relevante apenas a partir dos anos 1970.

Para quem tem a curiosidade de saber a marca registrada de cada escola cervejeira vamos aqui descrever, de forma simples, é claro, o que cada escola tem de mais relevante e o que a faz ser reconhecida.

A escola Alemã possui como foco a padronização na produção de cerveja, seguindo à risca, por muitos anos, a Lei de Pureza (Reinheitsgebot). Essa lei diz que a cerveja só poderia ser feita com os ingredientes básicos: água, malte de cevada e lúpulo. A levedura (fermento) só foi introduzida na lei séculos mais tarde, após a sua descoberta. Qualquer outro elemento além dos permitidos tornaria a cerveja um outro fermentado. O rigor fez com que a escola Alemã padronizasse a produção de cerveja e garantisse um produto que pudesse ser reconhecido em qualquer região. Hoje, somente algumas cervejarias tradicionais ainda a seguem, não sendo mais uma imposição Alemã.

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Disponível em: https://goo.gl/7kASJY.

A escola Franco-Belga é quase o oposto da Alemã: a criatividade é sua marca registrada, não havendo controle ou limitação de ingredientes. Os inúmeros elementos utilizados na produção de cerveja associados às leveduras fazem das cervejas belgas complexas e variadas em sabor. Quando se fala em escola Franco-Belga, é natural pensar em levedura, especiarias, frutas e cereais gerando bebidas de complexidade aromática e gustativa.

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Disponível em: https://goo.gl/tViQHw.

Já a escola Britânica se destaca pelo bom uso de um ingrediente em particular: o lúpulo. Esta escolha foi muito influenciada pela necessidade de expansão e domínio do império Inglês, cujo exercício exigia alimentos que pudessem ser estocados por meses. Os ingleses perceberam que a cerveja com uma quantidade de lúpulo maior do que a normal poderia ser armazenada por períodos mais longos. Assim as cervejas Britânicas tendem a ser mais amargas devido ao maior uso do lúpulo.

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Disponível em: https://goo.gl/K4M3Jr.

Os norte-americanos não iriam ficar para trás neste mercado, por isso correram a fim de consolidar a sua marca. Suas bebidas possuem o amargor dos Britânicos associado à variedade de sabores dos Franco-Belgas. Dessa forma, a escola Norte-Americana tem como características mais presentes o amargor – maior do que na escola Britânica – e os sabores cítricos e herbais.

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Disponível em: https://goo.gl/ywKUQU.

Estas quatro escolas geraram e difundiram suas formas de produzir cerveja e são seguidas pela grande maioria dos produtores. É claro que cada mestre cervejeiro traz a sua assinatura em suas receitas, no entanto a base de suas fórmulas normalmente tem como origem uma das quatro escolas apresentadas neste post, dando, assim, embasamento técnico à bebida.

 

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